Terapias Manuais

Utilizamos terapia manual para aumentar a amplitude de movimento do complexo articular, mobilizar ou manipular os tecidos moles e articulações, modular a dor; reduzir o edema dos, inflamação ou restrição de movimento. Existem diferentes modelos de técnicas de mobilização e manipulação articular que podem ser realizadas com técnicas de contatos muito suaves ou até mais enérgicas. Os conceitos atuais sobre a aplicação das técnicas são variados e dependem não só da formação adequada como da habilidade dos profissionais.

As técnicas utilizadas são:

UTILIZAÇÃO DE BANDAGENS ELÁSTICAS EM CIRURGIAS PLÁSTICAS PELO CONCEITO DA MECANOBIOLOGIA TECIDUAL

Com base no conceito da mecanobiologia, podemos usar as bandagens (tape) para auxiliar os processos metabólicos favorecendo um ambiente adequado para que o processo de reparo ocorra mais naturalmente, uma vez que a literatura nos diz que as respostas do reparo tecidual são moduladas de acordo com o ambiente mecanobiológico tecidual. Com isso, conseguimos uma melhor qualidade na formação do tecido cicatricial.

É possível prevenir hematomas, seromas, auxiliar o tratamento das fibroses e reduzir as equimoses, pois o tape nos permite conter os tecidos bem como aplicar tensões em áreas específicas quando necessitamos da ação destas forças. É um excelente recurso para ser usado em substiuição ao micropore, pois sua cola é hipoalergênica e ainda tem a grande vantagem do material é feito de tecido elástico, o que permite que ele seja mais confortável para o paciente, permanecer aderido à pele sem necessidade de troca em um período de 7 a 10 dias e ainda possibilitar a aproximação da pele sobre os músculos, diminuindo o espaço morto que se forma após a retirada da gordura, reduzindo assim a área lesada e diminuindo a intensidade da resposta inflamatória, o que reduzirá a proliferativa e assim, favorecerá que o remodelamento ocorra em seu tempo ideal (aproximadamente a partir de 20 dias PO).
Os efeitos das forças de tensão e de compressão já estão bem descritos na literatura e podemos facilmente fazer links destes conceitos para o uso do tape.
Em nossa prática clínica, usamos esses conceitos e obtemos resultados muito satisfatórios.
A proposta é aplicar o tape imediatamente após a cirurgia, ainda em centro cirúrgico.
Os resultados obtidos até o momento mostram que com a contenção imediata após a cirurgia é possível reduzir edemas e equimoses e também notamos uma redução significativa na formação dos seromas.

CONCEITO MAITLAND

O ConceitoMaitland foi desenvolvido pelo fisioterapeuta australiano Geoffrey D. Maitland.
Sua proposta defende que a abordagem terapêutica deve englobar avaliação criteriosa e raciocínio clínico. Não se trata apenas de uma técnica de mobilização articular.
É bastante utilizado para aliviar dores e restaurar a amplitude de movimento normal, devolvendo a funcionalidade.
O tratamento é baseado por mobilizações passivas e manipulações, de acordo com o quadro álgico apresentado na avaliação.

DERMONEUROMODULAÇÃO

Técnica desenvolvida pela canadense Diane Jacobs, aborda o sistema nervoso cutâneo e periférico através de estímulos nos receptores periféricos (pele e subcutâneo), que transmitem informação ao cérebro provocando uma série de mudanças nos tecidos e normalização do metabolismo do tecido neural em disfunção.
A abordagem proposta pela DNM é extremamente útil em pós-operatórios de cirurgias plásticas, uma vez que os nervos cutâneos – e às vezes os periféricos – são acometidos pelo dano tecidual causado pela cirurgia e/ou pela presença de fibroses e aderências decorrentes do processo de reparo tecidual.

CONCEITO MULLIGAN®

O conceito Mulligan é um modelo de terapia manual composto de técnicas simples que se baseiam na resposta sintomática do paciente. Essas técnicas envolvem reposicionamentos articulares enquanto o paciente realiza simultaneamente o movimento sintomático. Se o reposicionamento for efetivo, o movimento sintomático torna-se assintomático.
As técnicas do conceito Mulligan não devem ser usadas para tratar dores em repouso, exceto quando são mínimas ou têm pouco significado para o paciente nessa situação, exacerbando-se com movimentos ativos. Muitos casos de sintomas significantes no repouso estão associados a patologias adjacentes que estão além das anormalidades biomecânicas comumente tratadas em fisioterapia e terapia manual.
Como o conceito Mulligan trabalha com técnicas associadas a movimentos, alguns pacientes não se enquadrarão em seu uso. Isso ocorre porque, mesmo que se tentasse, provavelmente não se encontraria um estado sem dor, e a técnica teria de ser abandonada por não se enquadrar em um dos princípios básicos do conceito Mulligan (o de ser indolor).
Fonte: Torrieri Junior P, Pilderwasser DG. Conceito Mulligan. In: Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva; Macedo CSG, Reis FA, organizadores. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Esportiva e Traumato-Ortopédica: Ciclo 6. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2016. p. 89-124. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 1).
O conceito Mulligan proporciona excelentes resultados em pacientes em pós-operatório de cirurgias plásticas e suas manobras são facilmente aplicáveis mesmo em períodos mais recentesda recuperação pois muitas são aplicadas com o paciente sentado e de pé.

Mobilização Neural / Neurodinâmica

Em distúrbios neuro-ortopédicos, é impossível que haja apenas uma estrutura envolvida.
O sistema nervoso certamente estará envolvido, direta ou indiretamente em todos os problemas do paciente.
Sintomas são uma expressão da condição dos tecidos envolvidos (articulação, músculo, fáscia, tecido conjuntivo, etc…) quando conduzidos através do sistema nervoso e modificados pelo meio ambiente. É essencial que seja dada atenção a todos os fatores que possam influenciar os sintomas de um paciente e é necessário um modelo que não seja dominado por uma única estrutura, mas um em que todas as estruturas sejam levadas em conta.
Os sistemas nervosos central e periférico precisam ser considerados como sendo um só, uma vez que formam um trato contínuo. Está ligado de três maneiras: os tecidos conjuntivos são contínuos, embora em diferentes formatos. Estresses impostos sobre o sistema nervoso periférico durante o movimento são transmitidos para o sistema nervoso central. Se houver alguma alteração em alguma parte do sistema, haverá repercussões em todo o sistema.
A mobilização direta do sistema nervoso se dá através do deslizamento entre as interfaces teciduais: articulações, músculos, fáscias e pele.
Assim como em todas as terapias manuais – aqui em especial, exige habilidade técnica e acurácia, pois é uma das técnicas que exige maior percepção do terapeuta, pois não há uma alavanca de movimento como nas articulações, aqui é preciso ainda mais atenção às respostas teciduais e às tensões presentes nos tecidos envolvidos. Engloba reconhecimento da resistência encontrada, sintomas sentidos e suas correlações durante o movimento.