Quando falamos em forças mecânicas, é preciso visualizar os tecidos como estruturas tridimensionais para que possamos entender os vetores de tensão que agem sobre os tecidos.

Exemplificando, no caso específico das cirurgias plásticas:

A primeira questão é entender que existem dois vetores principais: O primeiro é perpendicular à linha da pele, que é o vetor da incisão cirúrgica. O segundo é um vetor paralelo à linha da pele, porém, no subcutâneo, onde é feito todo o descolamento tecidual. Esses dois vetores serão considerados “bordos de lesão”, pois constituem áreas lesadas e formarão tecido cicatricial.

É muito importante entender isso, pois serão dois tipos distintos de abordagens terapêuticas, pois no primeiro vetor, precisamos que o tecido tenha força tênsil para que a cicatriz tenha um resultado estético. No segundo vetor, no subcutâneo, precisamos de flexibilidade, para que a pele deslize sobre as fáscias normalmente, caso contrário teremos aderências e retrações, o que prejudica o resultado final da cirurgia.

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Durante o tratamento dos tecidos cicatriciais, jamais devemos provocar afastamentos destas linhas, pois em fases inciais do reparo, pode-se provocar a deiscência de cicatrizes e formação de seroma. Caso o afastamento dos bordos ocorra em períodos mais tardios durante a cicaitrização,  será estímulo suficiente para síntese de tecido cicatricial, o que pode levar à formação de tecido excessivo formando cicatrizes hipertróficas.

É imprescindível que o ambiente mecânico adjacente aos bordos da lesão seja adequado para favorecer a formação equilibrada de tecido cicatricial, sem excessos, pois retrações próximas aos locais de incisão contituem um aumento de tensão extrínseca que pode levar à deiscência da cicatriz ou a formação de hipertrofia.

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Forças Mecânicas

Já se tem comprovada algumas ações de forças mecânicas nos tecidos cicatriciais. Esses resultados respaldam a LTF. As mais importantes são:

Compressão

A compressão estimula a liberação de enzimas que degradam o tecido excessivo (metaloproteinases).

Por causa da força de compressão, orientamos os pacientes que não usem roupas apertadas durante os 2, 3 meses seguintes à cirurgia, para evitar marcas irreversíveis. Calça Jeans deve ser esquecida neste período…

Por outro lado, utilizamos a força de compressão quando queremos que o tecido seja degradado, como quando utilizamos placas de silicone em cicatrizes e quando usamos as placas de pós operatório em fibroses.

Tensão

A força de tensão é a base de muitos tratamentos manuais utilizados na fisioterapia. Hoje, já se conhece uma boa parte dos efeitos desta força mecânica sobre os tecidos.

Através dos estudos da mecanobiologia tecidual, observou-se o fenômeno da mecanotransdução, e esse fenômeno explica as respostas celulares quando se aplica a força de tensão.

A tensão tem vários aspectos, duração, intensidade, profundidade, cada um com uma resposta diferente. Hoje sabemos que tensões muito intensas e duradouras aplicadas em tecidos cicatriciais não são tão efetivas como as tensões mais suaves e breves.

A tensão deve ser aplicada nos tecidos cicatriciais respeitando sua resistência, para que se tenha os efeitos benéficos desta força, que são o rearranjo das fibras colágenas, a diminuição da secreção de TGFß1 (citocina responsável pela formação de fibroses), entre outros.