A atuação da fisioterapia no período de recuperação de cirurgias está cada vez mais difundida. As técnicas evoluíram e atualmente, se faz menos trauma tecidual que há alguns anos, porém, ainda existe um importante dano estrutural nos tecidos, que evolui com formação de tecido cicatricial. Felizmente, as pesquisas na área de reparo tecidual (cicatrização) e na fisioterapia também evoluiram e hoje temos embasamento científico suficiente para provar que o tratamento eficaz permite uma recuperação muito mais rápida e eficiente. O tratamento fisioterapêutico adequado favorece um maior controle da evolução do processo de reparo (cicatrização) e suas intercorrências, como o edema, as fibroses e aderências e limitações de movimentos.

O objetivo aqui é enfatizar a efetividade do uso de técnicas fisioterápicas em tecidos cicatriciais. É muito importante que os fisioterapeutas que atuam com essa especialidade tenham um profundo conhecimento do processo de reparo tecidual, para que possam propor recursos efetivos para o tratamento de todas as consequências da agressão cirúrgica. A abordagem do fisioterapeuta – que é o profissional capacitado para reabilitação dos diversos tipos teciduais do corpo humano – visa a recuperação funcional do tecido acometido e com isso, eles podem propiciar  um resultado satisfatório tanto  para os pacientes quanto para os cirurgiões.

O ato cirúrgico constitui uma agressão tecidual que, mesmo bem direcionada, tem como conseqüência formação de fibroses – principal agravante no pós-operatório, pois prejudica a funcionalidade do indivíduo. A escolha da técnica adequada para seu tratamento pode muitas vezes se tornar um desafio. Recursos como a cinesioterapia, alongamentos, pompagens e liberação tecidual funcional, são especialmente indicados em pacientes que apresentam retrações e aderências decorrentes do processo de reparo.  Uma vez que o cirurgião e o paciente percebem os resultados de um tratamento adequado, a fisioterapia torna-se praticamente obrigatória e assim, um complemento indispensável para o sucesso da cirurgia.

É de inteira responsabilidade do fisioterapeuta o tratamento adequado das alterações teciduais provocadas pelos diversos tipos de cirurgias, bem como a divulgação tanto para pacientes como para os cirurgiões, da existência de tratamentos eficazes, para que num futuro próximo, todos os pacientes em pós-operatório possam se beneficiar de um tratamento adequado e alcançar o resultado esperado com a intervenção cirúrgica.